quinta-feira, janeiro 24, 2013

O que você está fazendo?


O que você está fazendo com você mesma? O que você pretende ficando assim nessa letargia sem fim? O que você acha que vai conseguir desse jeito? 

Você vai conseguir se deprimir, ficar triste, perder boas oportunidades de viver e de criar, de sentir e de amar. Você vai conseguir dores no corpo e doença, dores de cabeça e falta de amor-próprio. Vai se sentir mal por estar viva e se sentir inútil. Vai buscar conforto na comida e nos doces, no amor de qualquer pessoa, no composto perigoso da ironia e do deboche. Vai se sentir cáustica e amarga, vai se sentir exausta de tão pesada. Vai acreditar em falsas verdades para se sentir um pouco melhor. Vai andar com os pés arrastando pela casa, esquivando-se dos cantos de seus próprios limites auto-impostos e ilusórios. Vai saber que esse poço é sem fundo e há diversos níveis, sempre há um mais abaixo – não convém testar. Vai querer ajuda e não vai ter coragem de pedir, vai esperar que os céus venham em seu socorro e vai se desmanchar em lágrimas quando sentir a transformação profunda de quem se entrega e simplesmente deixar a vida tomar seu curso. 

A existência tem diversas possibilidades de ser assustadoramente surpreendente – se deixe viver e sentir. Se deixe descobrir até onde ela pode ser maravilhosamente incrível e trazer situações e pessoas diversas para que assim você possa sempre receber o alimento necessário para crescer e ser ainda mais além.

domingo, maio 27, 2012

Ajuda

- Por que estás tão centrada em descobrir os problemas alheios em vez de continuar a crescer?
- Eu pensei ser importante descobrir formas de colaborar com as pessoas ao meu redor e para isso preciso saber de suas dificuldades.
- Quando nem mesmo elas próprias as conhecem? Não achas muito invasivo tomar a vida dos outros como a tua e apontar-lhes seus problemas?
- Pensei estar ajudando...
- Seria de melhor ajuda aguardares o pedido daqueles que estão efetivamente prontos para tuas palavras, conselhos, ânimo e carinho. Cada um tem seu tempo de perceber e de movimentar-se rumo à ajuda.
- Mas não é quase uma obrigação, dado que tenho o olhar aguçado pelas experiências e observações, dizer a elas o que penso?
- Qual o valor de pedras preciosas no prato de quem tem fome de arroz e feijão? Naquele momento, o esperado é o alimento e não o luxo. Já tens, tu, o alimento que falta para outros e queres compartilhar por vontade de ajudar. Mas para eles estás a oferecer algo desnecessário e não irão dar o devido valor, por hora.
- Nunca pensei que permanecer quieta fosse algo bom a ser feito, quando posso  ser útil à vida alheia.
- Utilidade? És um utensílio ou uma pessoa com sentimentos? Tens tu teus próprios movimentos a fazer, ainda há muito o que aprender na caminhada a ser percorrida. Talvez tenha de olhar para teu próprio horizonte e seguir em frente: quando alguém precisar de teus conselhos e ajuda virá acompanhar-te lado a lado.
- Não é egoísta seguir caminhando?
- Egoísmo e adquirir conhecimentos somente para si, acumular bens materiais sem se preocupar em ajudar aos necessitados, se deixar levar pelas vontades do ego e da vaidade... Crescer não é egoísta, é necessário.
- Gosto de ver os outros crescendo também...
- Vê-los crescer é uma coisa, esticá-los à força é outra bem diferente.
- Agora entendi o ponto de vista.
- Tens, antes de qualquer coisa, comprometimento com tua própria existência. E deves lembrar disso antes de sair resolvendo a vida alheia sem solicitação prévia. Mesmo que seja solicitada ajuda procura ser informativa somente, evita autoritarismos. Deixa que os outros descubram seu próprio ritmo de crescimento e deem os passos com seu próprio coração. Assim, eles estarão em paz... e tu também.

quinta-feira, maio 19, 2011

Encontrando o caminho

Eu estava parada tentando entender tudo o que havia acontecido nos últimos meses e todas as voltas que eu tinha dado perambulando atrás de um caminho que nem eu mesma sabia.
- Sabes quanto tempo falta para rumares ao teu caminho?
- Se me disser ficarei muito feliz.
- Nenhum.
- Como assim, nenhum? Desse jeito vou ficar ainda mais confusa.
- Estás sempre no teu caminho, seja onde for que estejas e o que for que sintas. Teu caminho está vinculado à tua experiência de vida, às resoluções que tomas para fazer novas escolhas e continuar. Não há como saires deste caminho porque não há como saires de ti mesma.
- Mas por que eu me sentia tão perdida?
- Algumas vezes precisamos da dúvida para alcançar a certeza. Pode parecer paradoxal mas um extremo pode sim levar ao outro, porque é preciso experimentar certas confusões e em algum momento decidir que já é hora de tomar a frente e deixar de lado as indecisões. Se ficares eternamente esperando que algo miraculoso surja e te esclareça nada farás em tua existência, e sendo assim que mérito terás?
- Foi por isso que você se afastou? Para me deixar encontrar algumas respostas sozinha?
- Assisti de longe galgares os degraus de tua própria consciência e alcançares este esclarecimento que te coloca em um novo patamar. Começastes um novo ciclo e terás de arcar com as novas responsabilidades adquiridas juntamente com estes novos  conhecimentos. Agora voltei a ti porque é hora de compartilhares com os demais aquilo a que tanto demorastes para aprender, esta é a tua missão: as palavras.
- Mas se tanto demorei para aprender por que compartilhar assim tão facilmente com os demais?
- Se houvesses percebido que o controle estava fora de teu alcance e houvesses entregado-te ao ato de existir apenas não terias demorado tanto. E pensa porque sempre tivesses tanto acesso às informações, e com muita facilidade, por algum motivo.
- Vendo por este ângulo consigo entender o porquê de estar sempre em busca de algo, mas agora percebo que não era de mim mesma. A minha busca era por algo maior, por um significado que explicasse as voltas que dei no mesmo lugar. Hoje, depois de apenas ter deixado ser e fluído com as circunstâncias mantendo-me atenta para perceber os sinais, vejo minha vida de forma ampla e me sinto completa.
- Agora que sabes procura manter o foco, pois a disciplina que faz conseguires realizar tudo aquilo que desejares. Lembra que há tempo para tudo e que cada coisa tem seu tempo específico. lembra que já estás no caminho e que nada vai te afastar dele. Lembra que sempre estarei contigo, haja o que houver. E segue...

domingo, outubro 17, 2010

Senhores Passageiros

Aviso que esta é uma viagem séria em que brincadeiras não serão tratadas com menos rigidez do que os habituais deslizes por medo, ansiedade, orgulho, mágoa ou qualquer outro sentimento que faça vocês se perderem do rumo de serem pessoas melhores.

Quero deixar claro que não há saídas de emergência caso vocês se cansem da viagem ou sintam dores durante o percurso. A viagem vai ter se ser concluída de qualquer forma. Já não podemos garantir a duração desta – já que varia de pessoa para pessoa e seus aprendizados.

Porém cairão em seus caminhos sempre sinais para voltar ao rumo e anjos que os guiarão de volta ao caminho caso sintam-se fracos ou necessitados. Avisamos que estes anjos podem estar devidamente disfarçados de uma pessoa estranha, um amigo, um animal, um familiar ou a própria natureza se manifestando. Sejam cuidadosos, talvez estes anjos não voltem a lhes fazer companhia por isso aproveitem o que eles têm a lhes ensinar, mostrar ou aconselhar naquele momento. Pode ser o único.

As acomodações serão de acordo com merecimentos que não podem ser tratados aqui de forma superficial e as reclamações só serão devidamente respondidas em nosso setor particular depois de findada a viagem.

Alguns passageiros sentem-se confortáveis durante toda a viagem, mas não é uma regra sendo que a necessidade de cada um é diferente e alguns levam mais bagagem consigo e outros menos. Tenham cautela quanto ao conteúdo de suas bagagens: levem somente o necessário ao seu conforto e ao dos demais. Algumas bagagens podem atritar-se durante a viagem (de um, dois ou vários passageiros) e pode ser que causem constrangimentos e brigas inevitáveis, mas desnecessárias ao convívio e que são contra as todas as nossas (e suas) intenções.

Voltamos a lembrar que a escolha de viajar foi somente sua e que irá arcar por suas despesas, tendo uma ajuda de custo inicial que talvez lhe seja cobrada se não der continuidade ao seu aprendizado e melhora. Lembre-se de agradecer sempre a benevolência daqueles que lhe dão muito sem pedir nada em troca. 

Pedimos que tenham a compreensão de aceitar que a viagem de alguns termine antes que a sua, já que é algo que está fora de seu arbítrio e pelos motivos já mencionados não poderá ser esclarecido durante o trajeto. Mas garantimos que as acomodações depois do devido tempo gasto nesta viagem serão condizentes com o merecimento de cada um (e lembrem-se disto em sua jornada). Lembrem-se do que aprenderam ao conviver com esta pessoa enquanto estiveram juntos, nada do que se aprende é em vão.

Se quiserem fazer escalas tenham a percepção de que estas são de inteira responsabilidade sua e que podem ser preciosas ou negativas ao desenvolvimento e decorrer de sua viagem particular e que talvez as pessoas que optaram por não fazê-las tenham todo um desenvolver diferente. Saiba escolher e respeitar as escolhas dos outros passageiros para sua própria comodidade. Não aceitaremos devolução do dinheiro de suas escalas alegando que não tiveram boa estadia ou que foi tempo posto fora.

Mas por favor, senhores passageiros, lembrem-se sempre de que o condutor deste transporte os ama muito e quer vê-los felizes. Sempre estaremos dispostos a oferecer ajuda desde que devidamente encaminhado o pedido ao nosso setor especial: basta solicitar. O tempo de resposta vai depender de sua viagem e de que não vá interferir na viagem de outros já que levamos muito em consideração o conforto e o trajeto singular de cada um.

Tenham uma boa viagem e aproveitem este único percurso.

O Condutor e equipe de bordo.

segunda-feira, março 01, 2010

Tentativas...

Estava olhando o ceú, num pôr-do-sol deslumbrante e pensando em quão pequenos nós somos. Apesar de nos considerarmos tão transformadores do mundo, se paramos para refletir, somos muito frágeis. Ele se apresentou, como sempre cheio de luminosidade e palavras de sabedoria:
- Não credes que a vida é feita de pequenas coisas? Que os detalhes que compõem o todo?
- Sim, acredito que os detalhes somados fazem o todo.
- Se os seres humanos são pequenos, mesmo assim podem fazer toda a diferença... não?
- Sim, mas geralmente eles fazem transformações egoístas e principalmente na natureza.
- Se os homens se sentissem frágeis, pequenos e insignificantes não alterariam a natureza mas também não se sentiriam motivados a se desenvolver da maneira como tem sido feito desde o início de sua existência.
- Mesmo assim, não somos nada... perto da grandiosidade da natureza. E se pensamos que alguns acontecimentos se apresentam maiores do que achamos que poderemos suportar, neste caso, também nos sentimos indefesos.
- A vida se faz através de tentativas, erros e acertos... Mas os seres precisam mover-se em busca de algo: o que diferencia a direção é o que cada um tem dentro de si. Tanto que acabam por se formar grupos de pessoas com as mesmas vontades.
- Acabamos nos agrupando para ter mais força, mais vontade e seguir. Só que tem os que têm como motivação experiências que causam dor às outras.
- Os seres que acabam por causar dor nos outros nem sempre o intentam desde o princípio. Na maioria das vezes não há certeza quando intenta-se algo e no caminhar faz-se a situação.
- Mas como que uma pessoa não se dá conta de que vai fazer mal á outra? É só fazer uma projeção.
- As projeções são baseadas em conhecimento pessoal e isso diverge de pessoa para pessoa. Os seres humanos são limitados e as suas escolhas baseiam-se no que conseguem projetar como conseqüência, mas há muitas possibilidades... além do pensado.
- Não entendo. Você está me dizendo que devo desculpar aqueles que fazem o mal somente porque não sabem que o estão fazendo?
- A questão não é desculpar e sim não julgar. Nas tentativas errar é comum. Sabes os caminhos de tua cidade de cor só porque moras nela?
- Não. Não sei...
- Pois eis que a vida também é assim: muitos estão nela há tempo suficiente para ter aprendido muitas coisas, porém a bagagem e o foco indicam o que ela está apta para perceber.
- Mesmo assim... há pessoas que escolhem seguir a direção em que causam dor, como pode haver compreensão disso?
- Aqueles que só conhecem a dor sabem que existe outro sentimento?
- Bem, vendo por este ângulo...
- E há, minha cara, vários ângulos para observardes. Experimenta ir além do pensado e sentirás além do sentido. É como se os seres humanos estivessem com um pequeno cristal multifacetado, capaz de produzir várias cores ao ser posicionado contra o sol, e mesmo assim insistissem em posicioná-lo sempre do mesmo modo.
- Tentarei fazê-lo.
- Lembra: são sempre tentativas.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Um passo por vez

Eu achei que tinhamos perdido o contato e ele surgiu e disse:
- Estás querendo apressar novamente o curso do rio?
- Como assim?
- Tua ansiedade de viver um grande amor te faz dar passos rápidos e a tropeçar e cair, lembras de que já o fizestes várias vezes? Os arranhões e cicatrizes a ti nada ensinaram?
- É que eu sinto e me entrego...
- Será que sentes mesmo ou é apenas criação de alguém que quer fugir das circunstâncias ao seu redor?
- Fugir? Será? Mas me considero tão aberta pra compreender...
- Por vezes compreendes e ajudas aos que estão ao teu redor e esqueces de perceber o que está a acontecer em tua própria vida.
- Mas se não percebo por que fugiria?
- Temos mais meios de percepção do que imaginas, teu ser percebe mas teu corpo não quer vivenciar as conseqüências de tal fato.
- Mas no que implica isso quanto ao amor?
- Há fatos que devem ser lentamente vivenciados. Para que os caminhos se façam lentamente, como deve ser, e possas ver com clareza as opções que terás.
- Opções? Escolher?
- A vida está nos ofertando escolhas a todo instante, mas temos de estar numa velocidade ideal para que as possamos ver. Exemplifico: se estás numa rua e pretendes virar em uma outra que procuras, como vai ser melhor - que estejas a uma alta velocidade ou que venhas devagar?
- Para poder ver bem qual a rua vou entrar tenho de estar mais devagar...
- Então por que te apressas? Anda simplesmente...deixa estar. Há tantas situações a se apresentar e suspresas que nem podes imaginar. Apenas sejas mais paciente e observadora.
- Se assim vai ser melhor, posso tentar.

quarta-feira, março 18, 2009

De volta ao rumo...

- Eu estava querendo voltar a falar com você, me sinto tão mal por ter me distanciado. De você e do meu caminho.

- Nunca te distanciastes, apenas fez o que achava ser o certo no momento, mesmo assim, neste percurso que fizestes voltastes para o teu caminho. E sempre mantivestes contanto, mesmo em sono.

- Como é difícil seguir o caminho do coração...eu fiquei tanto tempo dando voltas e voltas - sem, no fim, chegar a algum lugar.

- Tudo faz parte de um ciclo que não se explica no meio, que não se vê na totalidade. És parte de algo muito maior que a tua compreensão pode alcançar. Não desperdices tempo tentando compreender algo que está além de ti. Neste momento sente o que está ao teu redor, vês o caminho em que estás? Tens consciência de para onde estás indo?

- Agora eu entendo um pouco mais, parece que quero estar sempre no controle de tudo. E o medo está sempre ali, me observando e "cutucando".

- Por mais que o medo esteja presente tens de seguir. E és pretensiosa ao querer estar no controle
de
algo maior do que a própria existência - tens controle sobre alguns aspectos, tens teu livre-arbítrio...tanto que pudestes seguir um desvio que te trouxe para o mesmo rumo. Porque este é o caminho do teu coração, da tua verdade e sempre voltamos para onde nosso coração pede. As vezes as pessoas se perguntam porque estão fazendo algumas coisas ou com algumas pessoas, mas esquecem de olhar no fundo de si. Elas negam o reflexo da verdade estampada em seus corações.

- Mas não há algumas situações que retornam porque não aprendemos ainda?

- Tens sempre que perceber o teu coração em primeiro lugar, se algo retorna sem estar ligado à 
tua 
vontade de viver de novo, de ter uma segunda chance de seguir e acertar ou se estás aprendendo a respeitar teu coração. Quando fazes algo que não está relacionado com algum destes aspectos pode ser somente vontade de viver algo novo, de saber se vai gostar ou não, afinal são necessárias experimentações aos seres humanos.

- Algumas pessoas gostam de coisas ruins...isto está ligado à verdade delas?

- O livre-arbítrio permite a escolha e a experimentação, mas o ser humano se desvia da sua verdade por ter medo. Eu sempre digo que o medo faz parte de um caminho por nele se estar sempre aprendendo. Nunca deixarás de ter medo pois não pode controlar o mundo, as coisas, o tempo e por ser assim tudo imprevisível - daí o medo. Porém as pessoas deixam que este medo as cegue e as paralise e seguem pelo desvio cômodo do não-fazer e do não-aprender. Mas elas sofrem, de uma maneira que não sentes - por isso não podes avaliar. Os seres humanos são diversos e nestas diferenças aprendem uns com os outros. Ao caminharem juntos são sempre instigados a se perceberem, se olharem e se ajudarem. É tudo uma questão de escolha, mas para escolher tens de sentir, perceber, observar, refletir e não somente agir - é muito mais a percepção do que a ação.

-
Eu posso sentir meu coração se aquecer quando penso no meu caminho, este que estou determinada a seguir neste momento pois fico feliz só de pensar em realizar estas tantas coisas que antes não tentei por medo do que os outros iriam falar, minha família, amigos...

- É fato que estás hoje muito mais perto, porém ainda estás frágil, já que a opinião dessas pessoas faz diferença para ti. Tens de perceber até que ponto estás determinada a seguir. Tens de perceber os sinais que te batem à porta a todo instante, tens de observar o teu intimo quando realizas as tarefas que sentes que nasceu  para fazer. Alguma coisa ainda te faz parar quando está prestes a seguir, correr e sair voando em plenitude. Não queres voar? Podes andar milhões de quilômetros mas a leve sensação de estar em vôo de alegria, realizando aquilo que sonhastes desde os primórdios de tua infância, para isto não há comparação. Estou feliz  que tenhas voltado para conversarmos muito mais. Quem sabe não te ajudo, segurando a tua mão, a alçar este teu sonhado vôo?